Paulo  Robalo

Kushti - 2010

Kushti

Luta praticada actualmente na índia , Paquistão e Irão , teve origem há cinco mil anos, com extensões ancestrais pelo actual território da Mongólia.

Dois opositores (opostos?) , lutadores humildes despidos de quase todos os bens mas obrigados a razões de fé , espiritualidade e valores humanos , enfrentam-se para se superarem e ganharem créditos no caminho da iluminação, o verdadeiro poder dos Deuses .

Num caminho de grandes canseiras, habitam , convivem e treinam durante décadas, obsessivamente em Akharas , catedrais de luta e luminosidade pictórica com atmosferas teatrais.

O Treino físico intenso fortifica e desenvolve os músculos e a flexibilidade e consiste fundamentalmente, numa série de exercícios, também comuns, por exemplo no Hata-yoga , em que se utiliza o peso do próprio corpo ou o de um companheiro.

De acordo com a Escola Filosófica Samkhya, tudo no Universo – pessoas, acções, alimentos - são uma mistura – mais ou menos pura – de três estados/condições: Gunas / sattva: Calmo / Bom; rajás /: Apaixonado / Activo; e Tamas: Melancólico /l etárgico.

Sendo a luta Kushti, uma actividade vigorosa, a sua natureza é essencialmente Rajasic. Assim e no sentido de procurar a Harmonia e equilíbrio, os seus praticantes ingerem alimentos essencialmente Sattvas: Leite, Ghee e amêndoas. Os lutadores devem evitar comidas picantes, chatnies , achares e chaat.

O campo da, luta constituído por terra polvilhada de barros , leite e ghee com dimensão variável 20x20 metros, é a arena ,espaço para os olhares e ambições dos pobres. O melhor público do mundo para a construção dos sonhos. Nestas arenas, as variantes indianas dos gladiadores romanos representam-se as misérias e expectativas da condição humana.

No kushti, um afectado observador ocidental questiona confrontos num espaço de penumbra, sagrado, em palcos ajaezados de terra.

Paulo Robalo

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por Paulo Robalo