Sobre

Paulo Robalo nasceu em Lisboa em 1965, cidade onde vive e trabalha. Licenciado em Pintura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, mostrou o seu trabalho de forma regular até meados dos anos 90's. Após este periodo, iniciou a sua formação e trajectória em Design Cénico Contemporâneo, numa fusão de pintura e instalação, nesta forma integradora de criação artística.Participou como Cenografo em inumeras criacões artísticas,nos principais eventos nacionais,Lisboa capital da cultura em 1994 , Expo 98 , Gymnastrada 2003 e com encenadores e coreografos de relevo. Coordenou o curso de ofícios do espectáculo na escola Chapito durante mais de uma década.Desde 2007, realizou oficinas de Pintura de "Backdrop" na Academia Contemporânea do espectáculo no Porto assim como workshops/ oficinas de Design Cénico Contemporâneo na escola Restart e expressão plastica na Etic.Actualmente é docente da disciplina de Desenho na Escola artística Antonio Arroio em Lisboa.

Como pintor ,expoe regularmente desde 2005,tendo sido representado pela galeria ArtHobler do porto,galeria Pensiero del colori,Grosseto Italy,galeria Studio 2 em faenza Italy e presentemente na galeria Passevite em Lisboa
Nos ultimos anos realizou exposições/instalações em Portugal,Marrocos,Alemanha,Lituania,França,Holanda tendo participado em várias feiras de arte internacionais.
Foi Bolseiro da Fundação do Oriente com o projecto Sumo onde realizou uma residência artística em Tokio.Nos ultimos anos esteve em vàrias em residências Artísticas em Asilah e Tahanaut ,Marrocos.

Em 2015 criou o atelier /galeria Passevite nos Anjos em Lisboa, conjuntamente com o pintor Mathieu Sodore e os designers Rui Lourenço e Daniel Nascimento.Neste espaço laboratorio de apresentação e reflexão artístico,desenvolve-se anualmente uma programação com exposições,ciclos de cinema de animação,master classes, sessões de desenho modelo nu ,assim como projectos de desenho/pintura, residências artísticas e intervenções sob a forma de "site specific".
 

Curriculum

Paulo Robalo was born in Lisbon in 1965, city where he lives and works. Degree in Painting from Lisbon University of Fine Arts, showed his works regularly until the mid-90s. After this period, he began his training and trajectory in Contemporary Scenic design, blending painting and installation with this comprehensive artistic activity. Since 2007 he coordinates and conducts workshops in Painting of Backdrop at ACE in Porto. And since 2008, at the Restart Lisbon School he teaches workshops of Contemporary Scenic design and teaches the discipline of Scenic Design for Theatre. At the moment he is also professor in the artistic school Antonio Arroyo in Lisbon.
Currently, since 2014, he has created the Passevite studio / gallery. In Lisbon where he develops an artistic program, curatorial projects, artistic residences and interventions in the form of specific sites.
https://www.facebook.com/passevitelx/

Other courses (selection)
- The Painting and the Spanish Scenography in the XX Century, Complutense University, Madrid
- Professional Teacher by the Psychology and Education Sciences Faculty of the Lisbon University
- Production Manager, with Phillipe Mulon
– Peter Brook Theater, Maria Matos Theater
- Production Design, by the IFICT
– Institute for the Formation Research and Theatrical Creation Academic Experience (selection) Scenography and Drawing Teacher at “Chapitô”
– Professional School of Showbiz Arts and Crafts and RESTART-School of new artistic technologies.
- Plastic Expression teacher at the I. D. S.
– Institute for Personal and Social Development Grants and Restart school of Arts and new thecnologies.

2007 -Grant from the Oriente Foundation for a research project in Japan on Sumo wrestlers (Hong-Kong, Macau and Tokyo) – Grant from Young Creators 1991 , with the project The Ship, Institute of Youth and Culture National Center, Lisbon Exhibitions and Installations .

He has participated in Lisbon Art fair Between 2007-09-, Art fair “Vinilus” Lithuania 2009 and Art fair Reggio Emilia/Italy 2008 .

Represented by the gallery Arthobler- Oporto/Lisbon -between 2007-2013 and By the Gallery Studio 2 –Faenza –Italia Between 2005-2007.

Exhibitions (Selection)

Sou eu a pintar ou é pintura a pintar por mim?

Quando me coloco perante esta pergunta, fico quase sempre sem saber que resposta dar. Mais fico também sem saber para quê?

O Porquê e o para quê?

O que andarei para aqui a fazer, para onde me encaminhar ? que caminhos escolher?

Esta maleita diária sem farol persiste desde o começo e não acaba nunca. Depois para me refazer desta penumbra e inquietação, pego ansiosamente nos lápis, nas tintas e recomeço a fazer, apago ou não e recomeço. Sobreponho e refaço, insisto e volto á procura e volto a fazer.

Raras vezes ao percorrer este caminho encontro o lugar, talvez utópico, onde mora o bem estar e a sensação de ter cumprido uma missão que não sei bem qual é. Fico aliviado completo e feliz, momentaneamente feliz.

Procuro sem saber bem o que procurar, mas procuro o objectivo supremo de atingir um sublime, esse lugar distante que de momento ainda não tive o prazer chegar.

Depois do turbilhão recorrente das inquietações, vem a necessidade de dar um sentido mais conceptual a este processo e fico contente com a ideia menos simples de que afinal o desígnio dos artistas é redesenhar a existência.

Soa-me grandioso, soa-me bem.

Sou invadido pela grandeza dos mestres que muito admiro:

Os Velasquez ; os Goyas; os Paolo Ucellos ;Os Turner, e os mais recentes: o esquecido Giorgio Morandi; o Francis Bacon; o Anselm kieffer, o David Hockney;o desaparecido de forma prematura Juan Munoz; o Anish kapoor; o Kabacov; O Boltanski,;o exímio desenhador william kentridge; o matérico Miquel Barceló, e voltam os Veermers, os Giottos e todos os outros Caravagios que nunca caberiam aqui dizer todos.

Que sentido faz afinal pintar e desenhar quando eles já o fizeram de uma maneira tão sublime e magistral?

É a obstinação que obriga a continuar este caminho sinuoso.

E não é que nesta auto-estrada do inferno dos sentidos, cruzo-me com frequência com os novos profetas, os curandeiros da arte, os doutrinadores e outros evangelizadores plásticos?

Estes aprumados senhores muito seguros de si que impõem as suas moralidades estéticas e intelectuais irrevogáveis.

Figurativo, figurativo matérico ? pintura orgânica? Horror! Aberração! A condição humana? Outra vez ? Tema tão batido e tão desadequado nos dias que correm, tão fora das novas linguagens artísticas e geo-estratégicas emergentes.

Que fazer a seguir perante estes doutos e sapientes, o mainstream actual?

Estes senhores e outros apeliados de novos curas , os curandeiros da nova ordem da estética que tão bem escrevem que até não chegamos a entender o que tanto e fundamental nos têm a dizer.

A muje segundo eles,o topo do topo ,os himalais das presentes tendências , é precisamente seguir as tendências emergentes, exercitar o olhar fora das fronteiras do verosímil , ir ao encontro das trans das trans vanguardas abstracionistas, do racionalismo trans abstrato, da arte versus ciência e do minimalismo, sobretudo do minimalismo, que não se deve nunca confundir com o mínimo mas que deve estar sempre associado aquilo que fica bem mas nunca se percebe bem.

A Arte para os iluminados.

E pergunto aos iluminados, quantas vezes a pintura já morreu? Quantas vez já ressuscitou e quantas mais irá ressuscitar?

Milagrosamente outra vez, volto ao inicio, lá vem de novo o chamamento dos odores do óleo de linhaça, da cera de abelha, dos vernizes, da goma laca, do alcatrão, do pó de pedra da gestualidade, dos riscos e dos inúmeros acidentes que se transformam em deliberadas intenções criativas.

Uffff tudo isto é uma abissal canseira, associada ao facto da minha mãe sempre me ter dito que eu não tenho brilho nenhum.

Devo terminar este não queixume de forma semelhante ao seu começo, sem acrescentar nem mais saber que dizer, expressando publicamente a minha grande profunda admiração e fascínio pelo caos e até mais do que pela organização do caos.

E fica aqui também apresentado, mostrado, desenhado e pintado, um prazer dos bons, um dos maiores que conheço, e entre os maiores desejos, o desejo partilhado de ser inútil.

De toda a maneira chaleira persisto em seguir..

Por tudo isto, pelo que há de vir, doem-me os olhos de tanto crer continuar a olhar e a pintar…

Será que Pintar é estar doente dos olhos?

Paulo Robalo